Uma década se passou e a calça Skinny está dando um adeus, ou talvez um “até logo”, para a moda. Para quem não sabe, skinny é aquele modelo de calça, geralmente jeans ou sarja, caracterizado por ser muito justo ao corpo, colado da cintura/quadril até o tornozelo. Por sinal, muito desconfortável.
Pelo menos é nisso que muitos especialistas e criadores de tendências do universo da moda estão apostando.
As calças mais largas já estavam aparecendo aos poucos e caindo no gosto de homens e mulheres de todo o mundo. O retrô e o resgate dos anos 80/90 foram um pontapé inicial. E é isso que tenho visto por onde passo.
Não é um movimento tão novo assim. Calças mais largas vêm aparecendo mais e mais, aqui e ali, nos últimos dois ou três anos. Mas nesta última temporada estão onipresentes nas vitrines das mais sofisticadas lojas e galerias do país bem como nas ruas de Paris, Roma, Londres.
Dos anos 1980 para cá
Roupas de modelagem mais ampla começaram a ganhar destaque no home office durante a pandemia, encerrando um ciclo de pelo menos uma década de hegemonia da calça slim e de sua versão mais radical, a Sknny
O último ciclo de roupas largas de verdade aconteceu nos anos 1980, era de ascensão dos yuppies, celebrado no cinema em filmes como O Último Gigolô, em que Richard Gere marcou época com costumes Giorgio Armani, todos com muito tecido sobrando.
A diferença daquela época para agora é que nem sempre a parte de cima tem acompanhado a proporção da parte de baixo. Existe hoje uma liberdade maior no ato de vestir, uma convivência de estilos diversos. Camisas, paletós e jaquetas podem tanto seguir a proposta de amplitude das calças como aparecerem em versões mais ajustadas, criando assim um contraste.
Qual o futuro das calças?
No Brasil, tendências costumam demorar mais para se consolidar. Ainda assim, calças amplas têm sido adotadas por estilistas renomados do país.
E qual o futuro das calças, já que a moda funciona por ciclos? Apesar dos holofotes em silhuetas folgadas, o slim ainda continua presente no portfólio de grifes de prestígio, como a Prada. Um corte intermediário que também não deixou as araras é o cenoura, que afunila na canela.
O novo padrão, num futuro próximo, provavelmente ficará em lugar intermediário, disse Jian DeLeon, diretor de moda masculina da marca Nordstro. “Nem muito largo, nem muito justo”
Você certamente estará perguntando por que estou escrevendo este artigo, bem diferente do estilo desse jornal. Sou da era Grunge, um movimento que surgiu no final dos anos 80 e popularizado nos anos 90. Era caracterizado por um som "sujo" (mistura de punk e heavy metal), letras introspectivas sobre depressão e desilusão, e estética desleixada (camisas de flanela, rasgados, calças largas, boné, tênis ou coturnos), o grunge reagiu ao pop-metal festeiro dos anos 80. O movimento contestou o pop polido da época, com bandas como Nirvana, Pear Jam, Soundgarden e Alice in Chains.
E quando vi jovens e até mesmo pessoas mais velhas retornando a este estilo, lembrei-me de já ter visto e vivido este filme.
Sérgio Vasconcelos
Repórter